sábado, 13 de janeiro de 2018

Empresas de ônibus não conseguem suspender decisão de reduzir tarifa

STJ negou pedido de efeito suspensivo de consórcios que operam as linhas de coletivos

POR O GLOBO 12/01/2018 21:39 / atualizado 12/01/2018 22:02

Ônibus estampa novo valor da tarifa na Central do Brasil. Imagem de 15/11/2017. - Paulo Nicolella / Agência O Globo
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RIO - A presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministra Laurita Vaz, não concedeu o pedido das empresas de ônibus da cidade do Rio de Janeiro para suspender a decisão judicial que acarretou a redução da tarifa para R$ 3,40, conforme decreto publicado em Diário Oficial em novembro do ano passado.

O pedido de suspensão de liminar foi apresentado pelos consórcios Intersul, Internorte, Transcarioca e Santa Cruz de Transportes contra a decisão da Justiça do Rio que determinou que a prefeitura reduzisse em R$ 0,20 o valor das passagens das linhas municipais da capital fluminense, atendendo a um pedido da 2ª Promotoria de Defesa do Consumidor do Ministério Público do Estado do do Rio (MPRJ).

Segundo a presidente do STJ, as empresas particulares só poderiam se valer do pedido de suspensão se houvesse interesse público em sua pretensão. “Ocorre que, na leitura da inicial, fica evidente que a pretensão deduzida de, na prática, aumentar o valor das tarifas de ônibus na citada municipalidade, em dissonância com determinações da própria Prefeitura, se situa na órbita do interesse privado das empresas”, afirmou a ministra.


Por determinação da Justiça, a tarifa dos ônibus municipais do Rio cairá de R$ 3,60 para R$ 3,40 - Gabriel de Paiva / Agência O Globo
A ministra também não concedeu outro pedido dos mesmos requerentes para suspender uma decisão da 20ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), para revisão tarifária autorizada pelo município em 2014.



Fonte: https://oglobo.globo.com/rio/empresas-de-onibus-nao-conseguem-suspender-decisao-de-reduzir-tarifa-1-22284506

domingo, 31 de dezembro de 2017

Justiça proíbe paralisação de ônibus no Réveillon

Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região atendeu pedido do Rio Ônibus e proibiu qualquer paralisação de rodoviários entre o dia 31 e 1º de janeiro

Rio - O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 1ª Região proibiu a paralisação de rodoviários do município do Rio durante o Réveillon. A decisão acata um pedido do Rio Ônibus, sindicato que representa as empresas. 
A decisão, em caráter liminar, foi do desembargador Evandro Pereira Valadão Lopes. Segundo o magistrado, a manifestação de greve é "totalmente abusiva, pois não foi exaurida a via negocial e, além disso, desrespeitará, caso se concretize, as necessidades inadiáveis da Sociedade Civil (direito de ir e vir), gerando inúmeros prejuízos a toda população do Município do Rio de Janeiro".
Em caso de descumprimento da decisão judicial, a multa diária para o sindicato da categoria (Sintraturb) será de R$ 100 mil. Poderão também ser aplicadas multas individuais ao presidente e diretores (R$ 10 mil), além de R$ 1 mil para demais funcionários do sindicato.

Paralisação no Réveillon foi impedida pela Justiça do TrabalhoMaíra Coelho / Agência O Dia
A paralisação foi decidida em assembleia no dia 30 de novembro e, segundo a decisão, os trabalhadores parariam no dia 31 de dezembro. Os rodoviários alegam que estão com os salários atrasados e não receberam o 13º, além de estarem há 17 meses sem reajuste.
O Rio Ônibus argumentou no pedido que a paralisação dos trabalhadores traria transtornos à mobilidade da cidade no último dia do ano. De acordo com o sindicato das empresas, os ônibus, ao contrário de outros modais, têm capacidade de transportar todo o público dos eventos da cidade, sem limite de passageiros. Uma eventual greve também geraria uma sobrecarga na operação de outros meios de transporte.
O Comando Geral da Polícia Militar e a Secretaria Municipal de Transportes foram notificados da decisão para garantir a segurança na saída dos ônibus das garagens das empresas.


Liminar manda penhorar arrecadação do dia 31 para pagar salários de rodoviários

Liminar é concedida após decisão que impediu paralisação no Réveillon. Sindicato dos Rodoviários vão parar no dia 1º de janeiro após às 10h

Rio - Após uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 1ª Região impedir a paralisação dos rodoviários durante o Réveillon, uma nova liminar do tribunal mandou arrestar toda a arrecadação do dia 31 para pagar os salários e benefícios atrasados da categoria. 
A informação foi divulgada pelo Sindicato dos Motoristas de Ônibus do Rio de Janeiro (Sintraturb Rio) neste sábado. A decisão foi desembargador de plantão do TRT, Gustavo Alckmin. 
De acordo com Sebastião José, presidente da Sintraturb, a decisão que impediu a paralisação entre o dia 31 e às 10h do dia 1º de janeiro de 2018 será acatada, mas a categoria vai parar após o horário definido na decisão judicial.
"Decisão judicial é para ser cumprida e não discutida. Por isso transferimos nossa greve do dia 31 para o dia 1° de janeiro a partir das 10h", disse. Procurado, o Rio Ônibus, sindicato que representa as empresas, ainda não se pronunciou. 

Justiça proíbe paralisação de ônibus no Réveillon
 O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 1ª Região proibiu a paralisação de rodoviários do município do Rio durante o Réveillon. A decisão acata um pedido do Rio Ônibus, sindicato que representa as empresas. 
A decisão, em caráter liminar, foi do desembargador Evandro Pereira Valadão Lopes. Segundo o magistrado, a manifestação de greve é "totalmente abusiva, pois não foi exaurida a via negocial e, além disso, desrespeitará, caso se concretize, as necessidades inadiáveis da Sociedade Civil (direito de ir e vir), gerando inúmeros prejuízos a toda população do Município do Rio de Janeiro".
Em caso de descumprimento da decisão judicial, a multa diária para o sindicato da categoria (Sintraturb) será de R$ 100 mil. Poderão também ser aplicadas multas individuais ao presidente e diretores (R$ 10 mil), além de R$ 1 mil para demais funcionários do sindicato.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Empresa de ônibus Transportes São Silvestre encerra operação nesta quinta-feira

Manifestação dos motoristas da Transportes São Silvestre em setembro: protesto contra salários atrasados

A Transportes São Silvestre, empresa de ônibus localizada no Santo Cristo, encerrou suas operações nesta quinta-feira, de acordo com o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus do Rio de Janeiro (Sintraturb). A entidade calcula que cerca de 800 funcionários tenham sido desligados com o fim da circulação da companhia, que enfrentava grandes dificuldades nos últimos meses. A São Silvestre é responsável por 20 linhas, todas elas circulando pela Zona Sul e pelo Centro do Rio.
De acordo com o presidente do Sintraturb, Sebastião José da Silva, o passivo da empresa com os funcionários é de aproximadamente R$ 35 milhões. Segundo Sebastião, há uma ação coletiva pedindo a penhora dos ônibus e da garagem da empresa:
- São cinco meses de salários atrasados, além da cesta básica. Além das verbas rescisórias, a empresa está com vinte meses de FGTS e INSS atrasado. São mais de 6.300 rodoviários desempregados no decorrer desse ano. É uma crise sem precedentes no setor de transporte. É uma crise que tem conteúdo político, jurídico, envolvimento da cúpula do setor com a justiça. E o trabalhador paga o preço tendo em vista que, além de ter o fechamento de empresa com o massacre de desemprego no setor, estamos há 18 meses sem reajuste de salário. É um final de ano dramático.
Em nota, a Rio ônibus afirmou que o Consórcio Intersul vem acionando, nos últimos dias, o plano de contingência para suprir as linhas da Transportes São Silvestre. "A medida, porém, está comprometida pela concorrência desleal com as vans ilegais, que no último fim de semana voltaram a circular de forma irregular na Zona Sul, em trajetos soprepostos aos dos ônibus. A falta de fiscalização põe em risco a mobilidade da cidade, a segurança dos passageiros e enfraquece ainda mais o sistema de ônibus do Rio".
O posicionamento acrescenta que, além de comprometer a qualidade do serviço, "a crise pode levar 12 empresas a fecharem as portas". Juntas, elas operam 114 linhas e empregam mais de 7 mil rodoviários. Nos últimos dois anos e meio, sete empresas já encerraram suas atividades, levando mais de 3 mil trabalhadores a perderem seus empregos. "A falta de fiscalização põe em risco a mobilidade da cidade, a segurança dos passageiros e enfraquece ainda mais o sistema de ônibus do Rio", conclui a Rio Ônibus.
FALTA DE COMBUSTÍVEL E PROTESTOS
As dificuldades da empresa foram expostas em diversos momentos ao longo de 2017. Em um capítulo recente, no último dia 6, motoristas da empresa foram obrigados a abastecer os coletivos em um posto de gasolina da Praça da Bandeira. Uma fila de ônibus, com pelo menos 25 veículos, se formou diante das bombas de combustível e chamou a atenção de quem passava pelo local. Segundo um funcionário do setor de manutenção da empresa, como não havia diesel suficiente para todos os coletivos, a viação optou por abastecer os carros fora da concessionária.
Os rodoviários que trabalham na companhia também protestaram contra os atrasos nos benefícios em mais de uma oportunidade. Em setembro, motoristas da empresa fizeram um protesto em frente aos portões da empresa e paralisaram os serviços, impedindo que os coletivos deixassem a garagem. Situação semelhante já havia ocorrido em agosto.
VEJA QUAIS SÃO AS LINHAS DA SÃO SILVESTRE:
101 TRONCAL 10 - Jardim de Alah X Cruz Vermelha (Via Jardim Botânico/ Lapa) Pool: São Silvestre - Consórcio Intersul - Braso Lisboa - Consórcio Intersul - Graças
102 TRONCAL 2 - Jardim de Alah X Rodoviária (Via Lapa) Pool: São Silvestre - Estrela Azul - Vila Isabel - Braso Lisboa
108 TRONCAL 6 - Jardim de Alah X Rodoviária (Via Túnel Velho/ Túnel Santa Bárbara) Pool: Real - São Silvestre
117 TRONCAL 7 - Central X Cosme Velho (Via Túnel Santa Bárbara) Pool: São Silvestre - Transurb - Alpha
118 TRONCAL 8 - Cosme Velho X Rodoviária (Via Praça Mauá) Pool: São Silvestre - Estrela Azul - Transurb - Estrela Azul
133 Largo do Machado X Rodoviária (Via Estácio) São Silvestre
SN133 SN - Largo do Machado X Rodoviária (Via Estácio) São Silvestre
503 Leblon X Gávea (Circular) Pool: Braso Lisboa - Estrela Azul - São Silvestre
513 Urca X Fonte da Saudade (Via Mena Barreto) Circular - Pool: São Silvestre - Vila Isabel - VG - Consórcio Intersul
SP513 SP - Urca X Botafogo - Circular - Pool: São Silvestre - Braso Lisboa
538 Rocinha X Leme (Via Estrada da Gávea/ Jóquei) Circular - Pool: Real - São Silvestre
548 Alvorada X Botafogo (Via Avenida das Américas/ Jardim Botânico) - Circular - Pool: Braso Lisboa - Real - Vila Isabel - Estrela Azul - São Silvestre - Graças
580 Largo do Machado X Cosme Velho - São Silvestre
SP580 SP - Largo do Machado X Laranjeiras - São Silvestre
581 Circular 1 - Leblon X Cosme Velho (Via Copacabana/ Urca/ Largo do Machado) Circular - Pool: São Silvestre - São Silvestre
582 CIRCULAR 2 - Leblon X Urca (Via Jardim Botânico/ Túnel Rebouças/ Laranjeiras) Circular - Pool: São Silvestre - São Silvestre
583 Cosme Velho X Leblon (Via Jóquei) Circular - Pool: São Silvestre - São Silvestre
SN583 SN - Cosme Velho X Leblon (Via Jóquei) Circular - São Silvestre
584 Cosme Velho X Leblon (Via Copacabana) Circular - Pool: São Silvestre - São Silvestre
SN584 SN - Cosme Velho X Leblon (Via Copacabana) Circular - São Silvestre

domingo, 10 de dezembro de 2017

Justiça condena Eduardo Paes por não cumprir meta de climatizar toda a frota de ônibus do Rio

Eduardo Paes

Ex-prefeito Eduardo Paes e o ex-secretário municipal de Transportes Rafael Picciani foram condenados pela Justiça pelo não cumprimento da meta de colocar toda a frota de ônibus do Rio com ar-condicionado até o fim de 2016. De acordo com a decisão da 8ª Vara de Fazenda Pública, os dois foram multados em R$ 200 mil. A prefeitura do Rio também foi condenada a pagar um multa de R$ 5 milhões ao Fundo de Direitos Difusos.
De acordo com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, autor da ação civil pública contra o ex-prefeito, os dois gestores municipais "não se esforçaram para alcançar a obrigação de cumprir a meta". Ainda de acordo com o pedido feito à Justiça, eles tinham "condições plenas para adotar as medidas administrativas e até mesmo judiciais" contra as empresas concessionária.
Nesta segunda-feira, o Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (GAEMA/MPRJ) do MPRJ vai participar de uma reunião marcada pela 13ª Vara de Fazenda Pública para discutir o andamento dos processos sobre a execução da meta de climatização dos ônibus, a ação de revisão da tarifa dos coletivos, e a ação sobre reajuste da tarifa. A prefeitura foi intimada a comparecer na reunião.
POLÊMICA SOBRE TARIFAS
A operação dos ônibus da cidade é alvo de polêmica. Decisões judiciais consideraram irregulares os critérios para aumentos de tarifas em 2014 e 2015. Com isso, a passagem baixou de R$3,80 para R$ 3,60; e depois de R$ 3,60 para R$ 3,40. O Rio Ônibus alega que as atuais tarifas não cobrem os gastos do setor. Em meio ao impasse, rodoviários têm feito paralisações esporádicas por atrasos ou não concessão de aumento de salários. E ameaçam entrar em greve no dia 31, a poucas horas do Réveillon.
Na semana passada, o prefeito Marcelo Crivella se comprometeu a contratar uma auditoria externa para definir, até 31 de dezembro, a tarifa dos ônibus municipais para 2018, segundo o presidente da Rio Ônibus, Cláudio Callak. Representantes do setor estiveram reunidos com Crivella durante uma hora e 20 minutos na manhã da terça-feira. O prefeito ainda se comprometeu, segundo o empresário, a realizar reuniões periódicas até o fim deste ano, ao menos uma vez por semana, com os representantes dos ônibus.
Em nota, afirmou que vai assinar aditivo do contrato com a empresa PricewaterhouseCoopers (PWC), para que seja concluído em seis semanas um estudo técnico para apontar o ponto de equilíbrio da tarifa de ônibus. De acordo com a sua assessoria de imprensa, Crivella disse aos empresários somente após esse estudo apresentará os resultados à Justiça para que a prefeitura possa definir uma tarifa justa.
RIO ÔNIBUS ENVIA CARTA ABERTA AO PREFEITO
No fim de novembro, após a paralisação de funcionários de quatro empresas de ônibus, com apoio do Sindicato dos Motoristas de Ônibus do Rio de Janeiro (Sintraturb Rio), o Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus) emitiu uma carta aberta a Marcelo Crivella. O texto, assinado pelo presidente do sindicato, Claudio Callak, fazia um apelo para que o prefeito participasse de uma avaliação técnica e transparente sobre a situação e cumpra o prometido em seu slogan durante campanha eleitoral, que é “cuidar das pessoas.”
A carta afirmava que a prefeitura tomou decisões unilaterais ao longo dos últimos anos levando o sistema municipal de ônibus a um “grave e perigoso desequilíbrio contratual”. Dizia também que ofertar gratuidades a passageiros, referindo-se ao passe livre para estudantes, cria despesas que impactam o equilíbrio econômico-financeiro do sistema.

BRT do Rio de Janeiro tem 22 estações em estado de abandono

Estação do BRT Cesarão 3 em completo abandono

Um mês após o Consórcio BRT ter ameaçado paralisar o corredor Transoeste na Av. Cesário de Melo, os ônibus continuam fazendo a ligação de Campo Grande a Santa Cruz. Mas as estações viraram terra de ninguém. A situação é pior nas imediações do Cesarão, onde duas foram fechadas após serem depredadas. Na quinta-feira, o EXTRA percorreu as 22 paradas do trecho, e em pelo menos em oito não encontrou bilheteiros. Havia apenas um controlador de acesso, cuja função é evitar que os passageiros pulem a roleta, mas eles dizem não ter como impedir a entrada dos caloteiros pelas laterais e, por medo de agressão, fazem vista grossa.
Comércio irregular toma conta da estação do BRT General Olímpio
Comércio irregular toma conta da estação do BRT General Olímpio Foto: Roberto Moreyra
Na Cesarão 2, nem a catraca está lá. O equipamento quebrou e não foi trocado. A iluminação interna é garantida por uma gambiarra, com lâmpadas em bocais pendurados por um fio. Segundo passageiros, a ligação foi feita diretamente da fiação de um poste da rua, por ambulantes que montaram bancas no interior da estação.
Cesarão 2 e o acúmulo de lixo
Cesarão 2 e o acúmulo de lixo Foto: Roberto Moreyra
— O BRT foi muito útil para a população. Agora, está abandonado. Quase ninguém paga a passagem, as estações não têm segurança, falta limpeza. Nesta, não há nem iluminação direito. Pegar ônibus à noite ou de madrugada é tenso — diz o mecânico Guilherme Abreu Lima, de 25 anos.
Passageiros entram de forma irregular na estação General Olímpio
Passageiros entram de forma irregular na estação General Olímpio Foto: Roberto Moreyra
A bilheteira Paola Jennifer da Silva, de 23 anos, que trabalhou mais de um ano nas estações da Cesário de Melo e há um mês foi transferida para uma no Recreio, contou que as bilheterias foram fechadas por causa do alto índice de calotes. Nelas, só foram mantidos os terminais de autoatendimento.
— Mas quando as máquinas estão ruins, as bilheteiras têm de sair de onde estiverem — contou a funcionária.
Sem fiscalização, mais um caso de entrada irregular
Sem fiscalização, mais um caso de entrada irregular Foto: Roberto Moreyra
Usuários se arriscam na frente dos veículos para subir pelas laterais, aproveitando que muitas portas de vidro foram arrancadas por vândalos. Funcionários fazem vista grossa.
— Tem que fingir que não vê. Afinal estou aqui todo dia e podem me pegar para fazer uma covardia — justificou um controlador de acesso.
O local virou morada de moradores de rua
O local virou morada de moradores de rua Foto: Roberto Moreyra
Na Cesarão 3 e na Vila Paciência, desativadas, moradores dizem que o pouco que sobrou, como corrimãos e ferragens, é roubado. Mas moradores sonham com a reabertura.
— A gente ainda tem esperança que um dia elas voltem a funcionar — diz Priscila de Souza, de 30 anos, que, apesar de morar ao lado da estação Vila Paciência, quando precisa usar o BRT tem que caminhar cerca de 500 metros até a Três Pontes ou cerca de um quilômetro até a Cesarão 2.
Roletas da Vila Paciência foram quebradas
Roletas da Vila Paciência foram quebradas Foto: Roberto Moreyra
Um prejuízo de R$ 800 mil com vandalismo
Segundo o consórcio, é impossível estimar quanto o grupo deixa de faturar por conta dos calotes, uma vez que os embarques ocorrem pelo lado exterior. Já o prejuízo mensal para manter as condições mínimas de operação do corredor no trecho, que atende 30 mil passageiros por dia, é de R$ 800 mil.
O BRT informou ainda que o risco operacional de que se feche o trecho com as 22 estações em curto prazo permanece. Sobre a falta de bilheteiro, o BRT esclareceu que decidiu deixar a máquina de autoatendimento funcionando”.
Com relação aos problemas da Cesarão 2, informou que a catraca de acesso de cadeirantes foi vandalizada. De acordo com o consórcio, funcionários são ameaçados e impedidos de fazer a manutenção dela.
Instalações elétricas irregulares tomam alimentam o comérico irregular
Instalações elétricas irregulares tomam alimentam o comérico irregular Foto: Roberto Moreyra
Projeto prevê fiscais e multa para calote
No fim de novembro, a Câmara Municipal derrubou o veto do prefeito Marcelo Crivella e aprovou uma lei contra o calote no BRT, prevendo multa de R$ 170 para caloteiros. Entretanto, para entrar em vigor, a medida ainda precisa ser publicada e regulamentada. O vereador Felipe Michel (PSDB), autor da proposta, acredita que ela vá reduzir a ação dos vândalos.
— Além de inibir os caloteiros que hoje há principalmente na região que liga Campo Grande a Santa Cruz, que gira em torno de 80 mil passagens dia, o valor das multas também será revertido na melhoria do serviço de transporte público — diz, acrescentando que os fiscais que aplicarão as multas podem contribuir com o aumento da sensação de segurança nas estações e no seu entorno.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Motoristas da Viação Nossa Senhora de Lourdes fazem paralisação

Rodoviários reclamam do parcelamento em cinco vezes do 13º salário e pedem o pagamento integral do valor

Rio - Os motoristas da Viação Nossa Senhora de Lourdes fazem uma paralisação na manhã desta segunda-feira. Eles reclamam do parcelamento em cinco vezes do 13º salário e pedem melhores condições de trabalho. Para os rodoviários, o valor deve ser pago integralmente ou pelo menos em duas parcelas. A empresa reúne oito linhas em bairros da Zona Norte do Rio, como Méier, Tijuca, Penha, Olaria, Ramos e Vila Isabel.
Motoristas da Viação Nossa Senhora de Lourdes fazem paralisaçãoMaíra Coelho / Agência O Dia
Integrante da diretoria, Bruno Fortes contou que a empresa se reuniu com os rodoviários, nesta manhã, para diminuir o parcelamento para quatro vezes, mas os motoristas não teriam aceitado. "Estamos passando por uma crise. A primeira parcela do 13º cairia agora no dia 30 e a última em fevereiro. Os salários continuam em dia", explicou.
No entanto, os funcionários garantem que nenhum representante da diretoria conversou com eles sobre a mudança no pagamento. Os motoristas disseram que foram avisados do parcelamento há dois dias, quando viram um cartaz pendurado em uma parede da garagem da empresa, na Penha. 
"No papel dizia que a viação teve um prejuízo de 10% dos passageiros, que a gasolina ficou mais cara e que ficou mais difícil a reposição das peças dos veículos. Mas as linhas têm mais de 400 passageiros por dia. Como não tem dinheiro para pagar a gente?", questionou Sérgio Maurelio, de 55 anos, que é motorista há dez anos.
Rodoviários reclamam do parcelamento em cinco vezes do 13º salário e pedem o pagamento integral do valorMaíra Coelho / Agência O Dia
Os rodoviários lembraram que, além de trocador e motorista, eles fazem a função de 'segurança do dinheiro'. "Temos que transportar todo o dinheiro para a empresa no fim do dia. Se faltar dinheiro, eles nos dão uma suspensão de um dia e descontam o valor do nosso salário. Na primeira viagem, vamos sem dinheiro. Se tivermos que dar troco para o passageiro, tiramos do nosso próprio bolso. A partir de agora, os passageiros só vão pagar se tiver R$ 3,40 ou o cartão. Caso contrário, vão entrar pela porta traseira", destacou Sérgio.
Motorista há sete anos, Amanda Cucuo também criticou as 'três funções' que precisa exercer diariamente e reforçou que os profissionais não têm segurança no trabalho. "Tenho que almoçar dirigindo porque não nos dão condições. Nem banheiro químico tenho. Nos planejamentos contando com esse dinheiro, ninguém come parcelado e eu não parcelo minha conta de luz. Não vamos aceitar que a empresa parcele o que é de nosso direito", enfatizou a rodoviária, de 34 anos, que trabalha na linha 679 (Grotão x Méier)
Empresa pendurou cartaz anunciando o parcelamento do 13º salárioRafael Nascimento / Agência O DIA
A empresa reúne, ao todo, 700 funcionários. Mas, segundo Fortes, apenas os motoristas aderiram ao ato em frente à garagem da viação, na Penha, Zona Norte. Procurada pelo DIA, o Rio Ônibus disse que a viação está em negociação com os funcionários e que propôs o parcelamento para manter os pagamentos em dia.
"Desde o início do ano, o Rio Ônibus vem alertando que o sistema de transporte por ônibus sofre os impactos com a negativa da prefeitura em reajustar a tarifa, em janeiro, desrespeitando o contrato de concessão. Esse cenário compromete a qualidade do serviço e tem como consequência o risco de fechamento de empresas. O Rio Ônibus defende que uma auditoria independente indique o valor justo da tarifa para a cidade; e está à disposição para o diálogo com o poder público", completou, em nota.
A Secretaria Municipal de Transportes ainda não se posicionou sobre a paralisação.